Só tudo...

segunda-feira, junho 25, 2007

Divagar
Devagar

segunda-feira, maio 28, 2007

Quero ser eu

Eu quero aprender
aquilo que quero
Eu quero ler
aquilo que quero
Eu quero comer
aquilo que quero
Eu quero trabalhar
naquilo que quero
Eu quero dormir
o tempo que quero
... e antes que julguem:
Isso não é questão de prazer
Isso é questão de Ser
Eu quero Ser
aquilo que Sou e Quero

quinta-feira, abril 12, 2007

Destituída

Arrancaram o balanço que embalava
meus pensamentos...

Agora está tudo sem ritmo!
Descompassado...

Um passo escorregadio atrás do'utro bambo
Busco o equilíbrio
Encontro o tombo

Águas e sombras formam o cenário
do vazio que
enche-me a alma.

Voltar ao que me constitui
demora e dói.

Só existe o caminho desconhecido
pra chegar onde conheço...

E o sentido da vida?

O sentido da vida parece ser:
Buscar sentido pra vida.

Caroline C. Rosa

quarta-feira, abril 11, 2007

"O Todo não é Tudo"

quinta-feira, março 29, 2007

olhos estragados

Faz tanto tempo que não escrevo por aqui, que até pensei não lembrar mais da minha senha de login. Na verdade faz tempo que não escrevo nada em lugar algum... é que a vida parece estar tão chata ultimamente, que eu me recuso encher de pérolas esse cotidiano lento.

O trabalho-emprego não me ajuda e eu também não o ajudo, a faculdade tá sem energia em todos os sentidos e eu a acompanho, minha família vai indo separada não sei pra onde e eu vou junto... O telefone toca, é alguém querendo saber o preço de uma dobradiça de duas polegadas, dei o preço errado, não me arrependo... alguém me paga um real não sei pelo quê... outro me fala de condições de pagamento não sei de quê... o telefone toca novamente, é minha Vó pedindo alguém pra ir ao banco digitar os botãozinho das máquininhas pra ela... Conversas idiotas em torno do dinheiro assim se vai uma manhã...

Acho que hoje acordei com os olhos estragados, não vejo alegria em nada... nada me surpreende... e vou enchendo esse relato de vírgulas e reticências, ... mas é tudo vazio... Espero dar conta de concertá-los (meus olhos), pois só assim vou conseguir ir além da existência.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

"TENHO QUE IR TRABALHAR..
SE EU FOSSE EU,
NÃO IRIA".

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Aprendendo a Viver - Clarice Lispector

Thoreau era um filósofo americano que, entre coisas mais difíceis de se assimilar assim de repente, numa leitura de jornal, escreveu muitas coisas que talvez possam nos ajudar a viver de um modo mais inteligente, mais eficaz, mais bonito, menos angustiado.
Thoreau, por exemplo, desolava-se vendo seus vizinhos só pouparem e economizarem para um futuro longínquo. Que se pensasse um pouco no futuro, estava certo. Mas "melhore o momento presente", exclamava. E acrescentava: "Estamos vivos agora." E comentava com desgosto: "Eles ficam juntando tesouros que as traças e a ferrugem irão roer e os ladrões roubar."
A mensagem é clara: não sacrifique o dia de hoje pelo de amanhã. Se você se sente infeliz agora, tome alguma providência agora, pois só na seqüência dos agoras é que você existe.
Cada um de nós, aliás, fazendo um exame de consciência, lembra-se pelo menos de vários agoras que foram perdidos e que não voltarão mais. Há momentos na vida que o arrependimento é profundo como uma dor profunda.
Ele queria que fizéssemos agora o que queremos fazer. A vida inteira Thoreau pregou e praticou a necessidade de fazer agora o que é mais importante para cada um de nós.
Por exemplo: para os jovens que queriam tornar-se escritores mas que contemporizavam - ou esperando uma inspiração ou se dizendo que não tinham tempo por causa de estudos ou trabalhos - ele mandava ir agora para o quarto e começar a escrever.
Impacientava-se também com os que gastam tanto tempo estudando a vida que nunca chegam a viver. "É só quando esquecemos todos os nossos conhecimentos que começamos a saber."
E dizia esta coisa forte que nos enche de coragem: "Por que não deixamos penetrar a torrente, abrimos os portões e pomos em movimento toda a nossa engrenagem?" Só em pensar em seguir o seu conselho, sinto uma corrente de vitalidade percorrer-me o sangue. Agora, meus amigos, está sendo neste próprio instante.
Thoreau achava que o medo era a causa da ruína dos nossos momentos presentes. E também as assustadoras opiniões que nós temos de nós mesmos. Dizia ele: "A opinião pública é uma tirana débil, se comparada à opinião que temos de nós mesmos." É verdade: mesmos as pessoas cheias de segurança aparente julgam-se tão mal que no fundo estão alarmadas. E isso, na opinião de Thoreau, é grave, pois: "o que um homem pensa a respeito de si mesmo determina, ou melhor, revela seu destino."
E, por mais inesperado que isso seja, ele dizia: tenha pena de si mesmo. Isso quando se levava uma vida de desespero passivo. Ele então aconselhava um pouco menos de dureza para com eles próprios. O medo faz, segundo ele, ter-se uma covardia desnecessária. Nesse caso devia-se abrandar o julgamento de si próprio. "Creio", escreveu, "que podemos confiar em nós mesmos muito mais do que confiamos. A natureza adapta-se tão bem à nossa fraqueza quanto à nossa força." E repetia mil vezes aos que complicavam inutilmente as coisas - e quem de nós não faz isso? - , como eu ia dizendo, ele quase gritava com quem complicava as coisas: simplifique! simplifique!
E um dia desses, abrindo um jornal e lendo um artigo de um nome de homem que infelizmente esqueci, deparei com citações de Bernanos que na verdade vêm complementar Thoreau, mesmo que aquele jamais tenha lido este.
Em determinado ponto do artigo (só recortei esse trecho) o autor fala que a marca de Bernanos estava na veemência com que nunca cessou de denunciar a impostura do "mundo livre". Além disso, procurava a salvação pelo risco - sem o qual a vida para ele não valia a pena - "e não pelo encolhimento senil, que não é só dos velhos, é de todos os que defendem as suas posições, inclusive ideológicas, inclusive religiosas" (o grifo é meu).
Para Bernanos, dizia o artigo, o maior pecado sobre a terra era a avareza, sob todas as formas. "A avareza e o tédio danam o mundo." "Dois ramos, enfim, do egoísmo", acrescenta o autor do artigo.
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!
Feliz Ano Novo.
(publicação Jornal do Brasil - 28 de Dezembro de 1968)